Quem disse que o futebol é desporto e coisa de homens é porque não conhece Mónica Jorge, a atual diretora do Futebol Feminino da Federação Portuguesa de Futebol. A paixão pela bola deixa-a tão feliz e motivada no dia-a-dia que a mensagem de alento aos que se preparam para abraçar a entrada no Ensino Superior não podia ser mais positiva, mesmo nos tempos de mal-estar económico que se vivem: “a crise é um problema para uns, mas uma sorte para outros – para as mentes criativas, sugiro que façam a diferença e que sejam autênticos!”
Cursou na Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM) e trabalha atualmente na Federação Portuguesa de Futebol. Fale-nos um pouco de todo esse percurso académico e profissional.
Tirei o curso de Alto Rendimento – variante Futebol, na Escola Superior de Desporto de Rio Maior. Neste momento, sou efetivamente Diretora do Futebol Feminino da Federação Portuguesa de Futebol, depois de ter sido durante quatro anos e meio Selecionadora Nacional Feminina e durante sete anos Treinadora Assistente das Seleções Nacionais Femininas. Estagiei também com as Seleções Nacionais Femininas na Federação Portuguesa de Futebol, ainda como aluna da ESDRM, e eles acabaram por dar continuidade a essa ligação até aos dias de hoje.
Um curso superior é um investimento para a vida, mesmo que exija alguns sacrifícios humanos e materiais. Quais são as principais ferramentas a nível de conhecimentos e aprendizagens que a ESDRM lhe deu para a sua atividade profissional atual?
A ESDRM deu-me, sobretudo, as ferramentas ‘bibliotecárias’ necessárias. É óbvio que um curso superior nos torna mais capazes, mais adaptáveis e mais pró-ativos para o futuro, mas o estágio ensinou-me coisas únicas: os medos, os confrontos, as dúvidas, as certezas, tudo isto foram estratégias de evolução e de comunicação que me ajudaram a ‘sobreviver’ neste meio. A observação, a construção prática das minhas ideias, a comparação com outros contextos fez de mim uma profissional sempre em construção, mais atenta e mais cuidada na forma de estar.
Que conselho dá a todos os que querem seguir os estudos superiores na área desportiva mas estão indecisos, até porque só se fala em crise?
Primeiro façam aquilo que gostem, para que o dinheiro não ‘compre’ o vosso caráter, a vossa inteligência e a vossa vida. Trabalhar com paixão e com lealdade será sempre a vossa estratégia mais forte, mais construtiva da vossa vida profissional. Nunca foi o dinheiro que me moveu nem nunca foram as ‘amizades’, foi sim o sonho, a dedicação e o profissionalismo. Sei o que sou, sei os meus limites e as minhas fraquezas mas sei o que quero e faço-o com muito gosto! Eu decido as minhas escolhas, ninguém pode decidir por mim! A crise é um problema para uns, mas a sorte de outros – para as mentes criativas, sugiro que façam a diferença e que sejam autênticos.
O que é que mais gosta do trabalho que faz diariamente e que lhe faz sorrir todos os dias?
O que me faz sorrir são as ideias construídas, um projeto realizado, o sucesso das nossas atletas, o orgulho que os amigos, as jogadoras, os familiares e os que me ‘escolheram’ e com quem partilho os sonhos têm em mim! Sentir que não os desiludo, ganhando a sua máxima confiança, deixa-me muito feliz. Trabalhar com uma família solidária, que nos ajuda e nos levanta nas horas mais difíceis, é um privilégio.
Os sonhos vividos a sós não têm graça nenhuma, há que partilhá-los e envolver os ‘leais’ nessa vontade, nessa realidade. É um trabalho dum todo e não duma pessoa só!
[Foto: Mónica Jorge]



