As leis da Gestão

Não é caso único, mas não deixa de ser curioso. Guilherme Costa licenciou-se em Direito e, pouco tempo depois, decidiu enveredar por um mestrado em Gestão, “numa perspetiva de abertura dos meus horizontes profissionais”. Encontrou no Instituto Superior de Gestão (ISG) o acompanhamento certo e, ao que parece, a opção resultou.

“Nós, os juristas de formação, temos a felicidade de o curso de Direito ser, diria eu, de banda larga, isto é, um curso que nos permite desempenhar as mais variadas funções e abraçar as mais diversas carreiras”. Guilherme Costa optou pela Gestão porque queria marcar a diferença e “não existem assim tantos juristas com competências nesta área”. Foi a forma que encontrou e é o conselho que te dá: “hoje não basta ser bom, temos de nos destacar dos demais”.

Hoje está em Angola, a trabalhar na área, e diz que o estrangeiro pode ser um excelente recurso para fugir à saturação do mercado nacional. Isso e uma boa dose de calma e autoconfiança: “vim parar a Angola, como em quase tudo na minha vida, por acidente (risos). Cheguei a casa depois de um jantar de amigos – já tarde – e resolvi abrir, uma vez mais, os anúncios de emprego. A certeza de que não seria chamado era tanta que fiz uma carta de apresentação muito descontraída. E não é que foi isso que marcou a diferença?”.

Garante que os cursos de Economia e Gestão têm a vantagem de, se for essa a tua vontade, partir para um projeto de autoemprego, onde o empreendedorismo e a inovação são fatores eliminatórios. Segue um conselho: “bem, aquilo que eu posso dizer do alto dos meus 26 anos (risos) é que temos de estar dispostos a fazer sacrifícios. E eles começam, inclusive, durante a licenciatura. Para mim, sempre foi inconcebível ter três meses de férias no verão e outros tantos ao longo do ano”. Guilherme termina, avisando que as ofertas que encontrares até podem não ser muito entusiasmantes do ponto de vista remuneratório, mas podem permitir “ganhar currículo, experiência e maturidade. Se juntarmos a isto uma boa dose de perseverança, ambição e humildade o ramalhete fica completo”.

Entrar na Universidade significa mudar também os pais

“É uma idade de grandes mudanças, não haja dúvidas. E a universidade potencia isso. Mas não é só a eles que a entrada na universidade causa mudanças (risos)”. Para Raquel Branco, mãe de Guilherme Costa, esta é uma altura decisiva da vida dos jovens, em que “tudo pode correr bem e tudo pode correr mal”. Em relação a Guilherme, preocupava-a a indecisão e a vida depois do curso. “Tentei ajudá-lo a organizar as ideias”, mas “a última palavra foi dele”.

Mesmo sabendo que “ter um filho a estudar é cada vez mais difícil”, Raquel Branco não duvida de que “há ganhos ao nível pessoal que não podem ser esquecidos. Estudar torna-nos pessoas mais atentas e melhores cidadãos. E, quando bem aproveitada, uma licenciatura é sempre uma vantagem na procura de emprego”.

[Foto: Guilherme Costa]

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