Há nove anos começou uma história que não vem nos livros, mas que dava um: o amor pela radiofonia, pelos microfones e pela música levou à Escola Secundária de São João do Estoril uma rádio aberta à comunidade. Durante o tempo de aulas, das 10h às 18h, há emissão para toda a escola. Na internet, há todos os dias, 24 horas por dia, emissão para quem quiser. Escuta bem o que a SJ Rádio tem para te contar.
A ideia partiu de Fernando Ramos, adjunto da Direção Executiva da Escola Secundária de São João do Estoril, numa visita a Oliveira de Azeméis, para a 2ª Convenção Nacional de Rádios Escolares. Queria montar um estúdio e permitir que os alunos pudessem fazer e ouvir uma rádio própria. Eles também queriam e a prova disso é que, em 2003, a SJ Rádio ganhou voz. Na altura, um desses alunos era Bruno Barbacena, que viria a ser o carismático produtor do programa da SIC Radical, Curto Circuito. Agora coordenador de todo o projeto da SJ Rádio, é dele a palavra:
“O nosso conceito nunca foi ser uma rádio de Associação de Estudantes, em que um aluno chega aqui, põe umas músicas a passar durante trinta minutos e vai-se embora”. Aproveitou a experiência que também trazia da ‘telefonia’ e montou uma grelha “não muito ambiciosa, com 2/3 programas”. Hoje orgulha-se de contar com 10 programas de autor. “Tento passar a minha experiência. Eles têm sempre uma formação sobre como é trabalhar em rádio, como é que podem produzir o próprio programa ou onde devem ir buscar os conteúdos. Mas a proposta inicial é, normalmente, deles”.
“Há sempre boa disposição e programas novos para trabalhar”
Soraia Silva é aluna do Curso Profissional de Técnico de Comunicação, Marketing, Relações Públicas e Publicidade e “se tivesse de convencer algum colega a ir para a SJ dizia-lhe que no projeto se aprende muito, há sempre boa disposição, programas novos para trabalhar e que a SJ Rádio nos dá uma formação ótima. Faz programas para ajudar os alunos e isso é muito valorizado por quem nos ouve”.
Bruno Barbacena diz que, no início dos anos letivos, “há sempre um grande entusiasmo” e vontade de dar asas à criatividade radiofónica. Cristina Freitas acrescenta: “como nunca tiveram esse contacto, querem experimentar e aprender coisas”. Para alguns, como para Soraia, a magia fica e já não sai: “ganhei um enorme gosto pela rádio e continuar a seguir rádio agrada-me, porque já me estou a começar a habituar a ter a rádio sempre presente na minha vida”.
Boca a boca enche-se a rádio de ouvintes
O passa-a-palavra foi fazendo crescer o projeto e daí nasceu outra necessidade: “há cerca de três anos, lançámos o online, porque até ali só funcionávamos em circuito interno”. São 24 horas de emissão por dia, durante os sete dias da semana, com música e programas originais (“repetimos alguns deles, para não ser só playlist”).
Bruno Barbacena não tem dúvidas de que a aposta na internet é a melhor rampa de lançamento: “temos o feedback dos alunos e a ideia que nos dá é que só ouvem rádio no carro, com os pais, por exemplo. Acredito que oiçam mais na internet”, que abre possibilidades como “estar no facebook e ter a rádio a tocar noutra página”.
Depois de um inquérito inédito, feito a todos os alunos da escola, Bruno Barbacena concluiu que “todos conhecem a SJ, mas ela ainda é pouco ouvida fora da escola”. Curiosamente ou não, os acessos ao site vêm de bem longe – “para além de pessoas de todo o país, temos muitos dos Estados Unidos da América”.
Pop, Rock e Hip-Hop são estilos com presença garantida, porque “é do que os alunos gostam, mas não queremos ter aquela conotação de rádio muito comercial”. Bruno Barbacena remata com a definição, “generalista a nível de playlist, de autor a nível de programas”.
Os universitários também estão convidados!
“Fechámos o ano passado com 40 mil visualizações no site e tivemos alunos universitários a querer participar”. Cristina Freitas está lá para o confirmar – “acabei o curso na área da comunicação e vi que não sabia fazer nada, não tinha experiência prática”. Duas amigas a estagiar na SJ e a proximidade entre a Escola e o local onde vive foram os passos que faltavam. Decidiu vir e hoje não pensa sair.
“A ideia é continuar a abrir as portas, porque isto não é como uma rádio generalista. É um projeto embrionário, onde vamos deixar as pessoas experimentar. Mas este ano começámos a apostar na profissionalização e queremos ter uma equipa fixa”, garante Bruno Barbacena.
É o que falta à SJ Rádio. A Câmara Municipal de Cascais continua a apoiar (“tem sido uma grande impulsionadora deste tipo de projetos”), mas é preciso que alguns dos voluntários deixem de o ser e passem a profissionais. A aposta nos universitários pode ser o primeiro passo: “fomos convidados para ser a rádio oficial do II Encontro Nacional de Estudantes de Ciências da Comunicação e descobrimos lá grandes vozes”. Um Ateliê de Rádio foi quanto bastou para Bruno Barbacena se surpreender e “em princípio, vamos escolher dez estudantes para vir fazer programas, incluindo pessoal do Porto, que pode gravar lá, mandar os formatos e nós depois pomos na emissão”.
O que pode fazer a SJ Rádio crescer?
“Ena, tanta coisa!”. Para já, Bruno Barbacena tem três ideias-chave:
- Estrear um programa só de bandas do Secundário. “As bandas mandam o material, nós divulgamos e entrevistamos, fazemos o perfil. Se possível, isto no final dava um festival ou um evento parecido. Para além disso, era bom encontrar um patrocinador que pudesse pagar uma gravação de um disco à melhor banda”.
- O Tour SJ Rádio. “Levar o conceito a outras escolas, fazer crescer o bichinho”.
- Grande aposta na área da televisão. “Fui produtor do CC e para o próximo ano a ideia é reformular o estúdio, de forma a conseguir fazer uma grelha de TV, com programas e parte informativa”. A SJ TV já existe, tem Cristina Freitas como cara oficial, mas para já ainda só foram gravados alguns eventos, “que estão em loop no site”.
[Fotos: SJ Rádio e Samuel Alves]






