Glória aos deuses

Os Jogos Olímpicos aterram este ano em Londres, com 36 modalidades e mais de 200 Comités de países e estados dos quatro cantos do planeta. Milhões de pessoas vão assistir, tanto ao vivo como através da televisão e da internet. Mas nem sempre foi assim. Espreita as origens e as curiosidades de uma competição com séculos de existência.

Certamente já ouviste falar de Zeus, o pai ou o rei dos deuses (se não ouviste, andas a ‘baldar-te’ demasiado às aulas de História). Foi em sua honra que nasceram os Jogos Olímpicos, fruto da enorme importância que era dada à mitologia e à religião na Grécia Antiga. A capacidade de manter um corpo saudável também era muito valorizada e, por isso, os gregos encontravam no desporto uma forma de prestar culto aos seus deuses. Os sacrifícios, mas também as glórias, eram dedicadas aos adorados e a crença era tanta que se chegava a acreditar na teoria de que eram os deuses que ‘escolhiam’ os vencedores.

A primeira edição foi em 776 a.C. e, a partir daí, de quatro em quatro anos, as cidades-estado gregas reuniam-se na sagrada cidade de Olímpia para a realização do grande evento desportivo. À imagem do que acontece hoje em dia, mas numa escala mais pequena, tudo parava para assistir aos Jogos: até os grandes poetas e oradores aproveitavam a agitação na cidade para mostrar os seus dotes. Lísias, um desses oradores, resumiu: “os Jogos Olímpicos são uma parada de inteligência no lugar mais belo da Grécia”.

Desporto e paz

Inicialmente, a competição centrava-se apenas na corrida, chegando mais tarde a luta, o lançamento do disco e o do dardo, o salto em comprimento e as corridas de bigas (que eram carros de cavalos). O pentatlo (vem do grego penta, que significa cinco) acabou por se tornar a prova mais importante, já que englobava algumas destas modalidades, bem diferentes das que constituem o pentatlo dos dias de hoje. O vencedor desta prova era considerado um verdadeiro herói e coroado com uma grinalda de ramos de oliveira brava, gozando de regalias e proteção quando regressava à sua cidade.

Durante cinco dias, todas as guerras e quezílias na Grécia conheciam um período de interrupção e eram decretadas tréguas, num ambiente de convívio saudável. A procissão e as oferendas a Zeus eram um momento para todos desfrutarem, mas competir… Era só para alguns: apenas os cidadãos, que eram os homens livres e de pura ascendência grega, podiam participar. Bárbaros, o que os gregos chamavam aos estrangeiros, escravos e mulheres estavam proibidos. Aliás, o único jogo em que as mulheres podiam entrar na Grécia era o “jogo dos ossinhos”, que consistia em atirar ao ar os ossos das patas das vacas e das cabras e, de seguida, apanhá-los com as costas da mão.

Seis coisas que provavelmente não sabias sobre os Jogos Olímpicos:

  • A importância dos Jogos era tal, que os gregos começaram a datar os acontecimentos da sua história a partir de 776 a. C., o ano da primeira edição do evento.
  • Como as mulheres não podiam participar, e para evitar disfarces, os atletas competiam todos nus.
  • As mulheres solteiras podiam assistir aos Jogos. Às casadas, nem entrar no recinto era permitido.
  • Os gregos consideravam o fogo sagrado e, por isso, eram mantidas chamas acesas no templo de Héstia, em Olímpia. Transportar a chama era a verdadeira glória dos vencedores. Ainda hoje, a tocha olímpica é acesa uns meses antes do início dos Jogos e transportada até ao local da competição. Agora, representa a união entre as nações.
  • Em 393, o imperador romano Teodósio, que se tornara cristão, proibiu os Jogos por considerar que eles eram uma forma de culto pagão.
  • A competição esteve interrompida durante 15 séculos, até ser recuperada em 1896, em Atenas, por Pierre du Coubertin.

[Foto: greektheatre.gr]

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