Nativos Digitais: eles andam aí

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O conceito de Nativos Digitais chegou-nos através do famoso artigo “Digital Natives, Digital Immigrants”, do escritor e designer de videojogos norte-americano Marc Prensky , estávamos em 2001.

Hoje, 14 anos depois, a designação continua na moda (veja-se o Magazine de Educação para os Media da RTP2 homónimo e nascido em 2010) e serve para retratar o perfil tecnológico desta nova geração de crianças e jovens que já nasceram num universo digital e continuam imersos na era dos bits.

Tratam a Internet por tu, sabem tudo sobre videojogos, dominam a linguagem dos hipertextos (links), são capazes de realizar várias tarefas em simultâneo (ver vídeos, fazer download de músicas, descarregar novas aplicações para o telemóvel, teclar com amigos em chats e redes sociais e ainda fazer a pesquisa que a professora de Inglês pediu para o dia seguinte) e mexem em todos os aparelhos e gadgets com uma facilidade de técnico especialista para a maior parte dos ‘cotas’. Eles são os Nativos Digitais, diz-nos Prensky, porque “falam” com naturalidade e sem “sotaque” o idioma digital destes recursos eletrónicos de hoje, como se fosse a sua própria língua materna. Adaptam-se sem medos à realidade inconstante das novas tecnologias e isso faz com que se distingam dos Imigrantes Digitais: todos os que não tendo nascido na era digital ainda precisam de ler manuais de instruções para saber como funciona um MP3 ou uma nova consola. Estes Imigrantes vão sempre carregar (ainda que leve) um “sotaque” analógico: sentir necessidade de rabiscar em papéis antes de escrever no computador, de imprimir e-mails para uma melhor leitura ou de chamar as pessoas para verem um vídeo em vez de enviar um URL via e-mail são apenas alguns exemplos.

Ainda que aplicada à realidade norte-americana, é ainda de Marc Prensky a frase: “os nossos alunos mudaram de forma radical. Os estudantes de hoje não são as pessoas para as quais foi desenhado o nosso sistema de ensino atual”. O estudioso continua, afirmando que os novos alunos não se diferenciam das turmas do passado apenas pelas roupas, os adereços, os gostos ou o calão que utilizam. Uma das suas maiores singularidades está na chegada e “rápida disseminação das tecnologias digitais”, já que os seus intervalos e tempos livres fora da escola são passados em companhia de computadores, videojogos, leitores de música portáteis, câmaras de vídeo, telemóveis e outros mecanismos digitais… O que faz com que atividades mais old school como ler estejam a ser substituídas por outras, como jogar videojogos ou ficar a navegar na Internet (se bem que uma biblioteca inteira cabe agora no bolso).
A questão é que este comportamento não é uma coisa má, em si, como acreditam os professores Imigrantes Digitais, incapazes de perceber como é que os seus estudantes podem aprender e estudar com sucesso enquanto veem televisão ou ouvem música, só porque eles mesmos não o fazem – porque não foram treinados a fazê-lo constantemente, como os jovens de hoje em dia, continua Prensky, um devoto fã da ideia de que aprender pode ser sinónimo de divertir-se. Veja-se o seguinte caso: se há crianças que conseguem memorizar mais de 100 personagens Pokémon (caraterísticas, história e evolução), por que é que não serão capazes de saber os nomes, capitais e caraterísticas de todos os países do mundo? O segredo está na forma e metodologia de ensinar, acredita o norte-americano e especialista em videojogos.

Alunos alentejanos já vão de tablet para a escola
A pensar no futuro – e tendo até como exemplo a Coreia (que prevê que, em 2015, os livros na sala de aula sejam todos digitais) o Ministério da Educação e Ciência (MEC), através da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares – Direção Regional de Serviços do Alentejo, implementou um projeto-piloto que tem como finalidade “testar eficácia da utilização de manuais escolares digitais no lugar dos atuais manuais em papel”. O Agrupamento de Escolas de Cuba (no Alentejo) já tem em marcha este sistema digital de ensino e a Mais Educativa esteve à conversa com Germano Bagão, o Diretor do Agrupamento, que sorriu ao projeto inovador desde o princípio por o considerar “uma mais-valia para alunos e professores”.

ProfGermanoBagao

Ao receberem o tablet, os alunos do 7º ano de escolaridade (na casa dos 12/13 anos) “ficaram todos contentes”, assim como os professores, que “possuem agora mais recursos para melhorarem as suas práticas pedagógicas”. Com os pais é que foi outra conversa, conta o professor Germano: “tivemos o cuidado de chamar os pais com filhos que iam integrar este projeto-piloto e explicamos-lhes a situação. Houve alguns mais céticos por causa do fim da utilização do livro físico… Mas eu expliquei que, simplesmente, os manuais escolares de papel iriam passar a ficar disponibilizados no tablet. A outra vantagem para os Encarregados de Educação (e que os levou a aceitar) foi mesmo o corte radical com as despesa em livros”.

O projeto conta com diversas parcerias, entre elas a Porto Editora, que disponibiliza o acesso à Escola Virtual e converte os manuais escolares em PDF para estarem descarregados nos tablets (para os alunos sem Internet em casa); e a Universidade Católica Portuguesa (UCP), que acompanha, monitoriza e avalia o decorrer do projeto, melhorando o que for necessário. Contudo, para Germano Bagão, um dos pontos essenciais foi a garantia de que seria dada aos docentes formação necessária “para que os professores possam ainda utilizar com mais produtividade este recurso informático”, que traz outra enorme vantagem para os alunos (e inveja para as gerações mais antigas): uma mochila mais leve e menos dores de costas devido ao peso de dezenas de livros de papel para as disciplinas de um dia só.

Não te deixes controlar
O Doutor Bruce D. Perry, do Baylor College of Medicine (Texas, EUA), afirmou que “Diferentes tipos de experiências levam a diferentes estruturas cerebrais” – daí que saibamos que a tua vida não possa ser (de todo) comparada com a dos teus pais, por exemplo. As tecnologias fazem parte das nossas vidas atuais, são-nos muito úteis, ajudam-nos até a ser mais felizes, a estar mais próximos de quem está longe e a cada dia que passa novas funcionalidades são descobertas para os mais variados fins.
No entanto, não te esqueças que a tua vida é uma coisa real, não é virtual. Por isso, presta sempre mais atenção às pessoas que te rodeiam do que a qualquer objeto ou máquina.

Horários: É durante as refeições em família que melhor se conversa, por isso não engulas a sopa à pressa para ir jogar videojogos nem abuses do “Já vou!” enquanto a comida arrefece na mesa, só porque estás no chat com alguém.
Atenção também às horas a que te deitas e aos monitores e headphones ligados – estes comportamentos podem prejudicar gravemente o teu rendimento escolar e a tua saúde ao fim de alguns anos (atenção à visão, à audição e à postura das tuas costas!).

Fantasias: Não mantenhas contactos de qualquer espécie com estranhos ou anónimos. À distância e virtualmente, todos podemos ser quem quisermos com base em mentiras e o preço a pagar por acreditar no desconhecido pode ser muito alto (pedofilia, Ciberbullying, pornografia, desgostos amorosos…).

Popularidade: Não entres em competições absurdas para seres o mais popular do Facebook. Que adianta teres o maior número de ‘amigos’ da rede social se não tens ninguém com quem ir ao cinema na sexta-feira à noite? Inscreve-te em atividades para além das aulas e socializa com os teus colegas da escola durante os intervalos. É na adolescência e juventude que se fazem alguns dos amigos para a vida, não sabias?

Consumismo: Férias low-cost, promoções de beleza, sorteios de computadores, medicamentos milagrosos para emagrecer… Não te deixes ir em conversas e nunca dês nenhuma informação pessoal ou bancária a nenhuma entidade – muito menos sem a supervisão dos teus pais. A Internet é um mundo de produtos onde todas as pessoas que os adquirem são bonitas, felizes, ricas e amorosamente realizadas. Mas isso não é real, é apenas publicidade ou Spam.

Alimentação: Tempos infinitos em frente a um ecrã podem ser pretexto para uma alimentação errática feita à base de sandes, batatas fritas e chocolates – coisas rápidas, carregadas de calorias e que te vão causar desnutrição e obesidade. Faz Desporto, sai de casa e evita o sedentarismo tecnológico.

Autoestima e privacidade: A tua felicidade não se mede em Likes nem em marcas de telemóvel. Não tens que ter uma fotografia com decote para seres bonita, fazer tutoriais no YouTube com a web cam para seres admirada ou partilhar tudo o que fazes de hora a hora para seres fixe. Aprende a tocar um instrumento, passeia, organiza programas em família, ajuda lá em casa nas arrumações… As tecnologias vão estar sempre ao pé de ti para quando precisares delas, só não vais querer é chegar à velhice e verificar que passaste a juventude rodeado de fios, ecrãs e sites de Internet.

Ortografia: Abreviaturas, emoticons, anglicanismos, frases não desenvolvidas… A Internet e os telemóveis inauguraram uma nova maneira de te expressares e comunicares com os outros. Mas atenção, o Português só vai passar por um Novo Acordo Ortográfico, não vai trasnformar-se em ‘Internetês’ e deves escrever na tua língua materna com todo o brio e cuidado, deixando de fora ‘bués’, ‘Lols’, ‘nices’ e outras ‘cenas’ quando estás a responder a testes, exames ou provas orais.

Pirataria: Lá porque tudo possa existir na Internet, não significa que possa ser tudo teu sem permissão. Os Direitos de Autor devem ser respeitados: atenção à utilização abusiva de textos e fotografias de terceiros para trabalhos de grupo (Wikipédia, Google…), sobretudo quando as fontes são dúbias; e cuidado com os downloads ilegais de músicas e filmes, porque esses comportamentos são punidos por lei.

Pedro Rocha da Cunha, 19 anos
Escola Secundária de São João do Estoril
“Conseguimos fazer tantas coisas ao mesmo tempo”
PedroRocha

Ao estudar Marketing, Publicidade e Relações Públicas, este aluno sabe bem a importância que as novas tecnologias adquirem na vida atual de qualquer jovem: “conseguimos fazer tantas coisas ao mesmo tempo, levando o multitasking a um outro nível. Agora, para qualquer dúvida que tenhamos, basta irmos ao nosso telemóvel e temos a resposta em segundos – também conseguimos estar a falar ao telemóvel, enquanto reservamos um bilhete de cinema e compramos uns sapatos que só se vendem na América”.
Para Pedro, “pegar num livro e estudar através daí, já não faz sentido”. “Para estudar, pego simplesmente nos meus apontamentos e junto a esses apontamentos toda a informação que consigo encontrar na Internet. Pego no portátil, no Ipad ou até no telemóvel e pesquiso dados adicionais sobre o mesmo tema”, refere o aluno, acrescentando que “o Ipad e o Iphone são muito mais fáceis de transportar” e tudo o que precisa está lá dento. Por ser assim o seu dia a dia, Pedro Rocha da Cunha não consegue imaginar como era a vida dos seus pais numa altura em que nem telemóvel havia: “como é que combinavam encontros com os amigos? Como falavam com os amigos que já não vivem perto de nós, noutras cidades ou noutros países, perdia-se o contacto por completo? E como é que aprendiam coisas que não se aprendem na escola, para ganhar cultura? Eram obrigados a ler um livro inteiro sobre um tema?”
Ainda a propósito de gadgets, Pedro adorava que o Pai Natal lhe oferecesse o seguinte protótipo: “um caderno super moderno, super tecnológico, que tivesse incorporado um gravador e um reconhecedor de voz. Assim ia para as aulas, ligava o caderno, prestava atenção ao que o professor dizia e explicava e, ao mesmo tempo, o meu caderno tinha o trabalho de transcrever tudo o que foi dito para lá. Desta forma, não tinha de optar entre estar atento ao que é dito ou ao que estou a escrever”, conta.

Inês Pais, 17 anos
Escola Felismina Alcântara /Agrupamento de Escolas de Mangualde
“Não me consigo imaginar sem tecnologias”
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No seu dia-a-dia, Inês não dispensa a utilização do telemóvel e do computador. Se tivesse que optar por algum destes, seria pelo telemóvel, confessa: “assim, posso estar sempre em contacto com as pessoas e posso usufruir ao mesmo tempo de Internet”.
Para estudar, Inês procura sites com as matérias em questão e resolve exercícios online. Também pesquisa blogues de professores para aceder a alguns resumos de matérias lecionadas e verifica as páginas de Facebook de alguns docentes, onde pode encontrar Power-Points publicados por estes.
Tendo nascido na era do www, Inês Pais tem muita dificuldade em pensar como seria a sua vida sem tecnologias: “não me consigo imaginar sem elas na minha vida, principalmente não me imagino sem poder contactar com os meus amigos numa questão de segundos, como podemos fazer hoje graças ao telemóvel e aos chats”.
Se pudesses pedir ao Pai Natal um gadget que ainda não existe no mercado, este “seria um robô que iria às aulas em vez dos alunos. Quando chegasse a casa, ele transmitia-nos todas as informações lecionadas e já resumidas”, confessa Inês.

E por falar em telemóveis…
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[Fotos: vancouverfilmschool @ Flickr | Cedidas pelos entrevistados]

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