Descobrimentos na ponta da língua

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Nesta obra, o historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto troca por miúdos a Idade de Ouro da História de Portugal, recheada de mitos, mistérios, factos, curiosidades, ideias-feitas, estereótipos e controvérsias que continuam a povoar o nosso imaginário.

Será que Vasco da Gama foi um herói ou um almirante cruel e sanguinário? É verdade que antes dos Descobrimentos se pensava que a Terra era plana? O mar era mesmo povoado por monstros, como o famoso e aterrador Adamastor? E foram mesmo os portugueses a descobrirem a Austrália antes do capitão James Cook?
Se algumas destas perguntas já te rondou o cérebro, encontraste o livro certo: “Os Portugueses Descobriram a Austrália? 100 Perguntas sobre factos, dúvidas e curiosidades dos Descobrimentos”.

Como surgiu a ideia deste livro, escrito para novos e velhos, curiosos e sabichões?

Há já algum tempo que tinha vontade de escrever uma obra de divulgação onde pudesse abordar estas temáticas de forma mais descontraída e prática, destinada ao público interessado mas leigo. O facto de me deparar frequentemente com informação errada ou incompleta nos jornais ou na televisão – muitas vezes repetindo velhos erros ou transmitindo ideias fantasiosas, aguçou-me o interesse. Por outro lado, as obras de historiadores e académicos nem sempre são acessíveis ou estão escritas de forma a motivar o público não-especializado. O desafio lançado pela Esfera dos Livros foi, assim, uma excelente oportunidade.

Porquê as 100 perguntas?

Havia várias possibilidades. Inicialmente, pensei em pequenas histórias, pequenos capítulos. Depois a editora sugeriu “fazer perguntas” e desafiou-me a fazer 100, que aceitei, ciente de que teria que escrever de forma fluida e sintética, dando pistas e explicando o essencial sobre cada assunto em três páginas.

Há alguma informação presente no livro que o tivesse impressionado mais e que queira partilhar?

A maior parte da informação do livro resulta da minha própria experiência e contacto com estes temas enquanto historiador, docente e investigador. É evidente que tive que procurar novos dados e informar-me de forma mais profunda sobre muitos dos temas. Alguns destes percursos revelaram, de facto, algumas surpresas. Uma das mais inesperadas foi, talvez, o caso do tesouro da “Flor de la Mar”, que é tido como um fabuloso tesouro à espera de ser descoberto. Conhecia mal os pormenores dos documentos da época, e quando os procurei, constatei que a carga do navio era, muito provavelmente, bem menos rica do que se geralmente se pensa e, sobretudo, que parte das suas riquezas foram recuperadas e pilhadas nos meses posteriores ao naufrágio.

É capaz de nos contar mais algumas curiosidades que possam aguçar o apetite literário? Por exemplo: foram mesmo os portugueses que descobriram a Austrália?

À medida que escrevia, constatei que muito do que podia ser contado ou explicado sobre vários temas do livro teria que ficar de fora, porque impus a mim próprio um espaço rígido igual para cada resposta. Os planos de Afonso de Albuquerque, por exemplo, ou porque se julgava o rei D. Manuel escolhido por Deus para reinar acima dos outros monarcas, são algumas das questões que me ocorrem agora. Quando à pergunta que dá nome ao livro, depende do que se entende por ‘descobrir’; mas se me perguntarem se os portugueses foram os primeiros europeus a chegar à Austrália, a minha resposta é um “sim” sem grandes dúvidas. Seja como for, criei um blogue para poder prolongar o debate sobre as questões do livro e, eventualmente, registar outras perguntas que não me ocorreram: http://100perguntas.blogs.sapo.pt.

Quer deixar alguma mensagem sobre a importância de conhecer a História portuguesa, nomeadamente a época dos Descobrimentos?

Autor
O historiador Paulo Jorge de Sousa Pinto.

O conhecimento da sua História é fundamental, para qualquer povo. Um povo amnésico é um povo desenraizado, com complexos (de culpa ou de superioridade) em relação a outros povos, incerto sobre a sua identidade e inseguro sobre os rumos a tomar. Inevitavelmente, construirá mitos e aberrações imaginárias para se auto-afirmar.
A chamada ‘época dos Descobrimentos’ foi um período excecional para os portugueses, porque lhes abriu os horizontes geográficos, culturais, económicos e, sobretudo, porque eles tiveram um papel absolutamente prioritário nesse processo. Digamos que Portugal não apenas “viveu esse tempo”, como “fez esse tempo”. Isto não tem nada a ver, e não deve ser confundido, com nacionalismos e heroicidades, ou mesmo com a ideia de que Portugal “estava à frente”… Pelo contrário, era, como hoje, um país pequeno e pobre, na cauda da Europa, desatualizado e longínquo em relação aos grandes centros europeus. O curioso é que, a certo momento, isso constituiu uma vantagem e um trunfo.

“Os Portugueses Descobriram a Austrália?
100 Perguntas sobre factos, dúvidas e curiosidades dos Descobrimentos”
Paulo Jorge de Sousa Pinto
Edição: 2013
Páginas: 344
Editor: A Esfera dos Livros
PVP: 19 euros

[Foto: Esfera dos Livros]

1 Comentário

  1. a expansão portuguesa foi tolerante – a espanhola foi brutal – basta ver os AZTECAS . E CULTURALMENTE? COMO CLASSIFICAR A OMISSÃO DOS PORTUGUESES N0 BRAZIL ONDE NUNCA FUNDARAM UMA UNIVERSIDADE E OS ESPANHÓIS FUNDARAM VÁRIAS CUIDANDO DA CULTURA
    UMA DAS CONSEQUÊNCIAS DESTA OMISSÃO É A POLÉMICA SOBRE A LÍNGUA PORTUGUESA TÃO MAL TRATADA NO BRASIL ENQUANTO OS PAÍSES DE LÍNGUA ESPANHOLA FALAM IMPECAVELMENTE O CASTELHANO E QUANDO TÊM DÚVIDAS PERGUNTAM A MADRID.

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